segunda-feira, 18 de abril de 2022

O acidente com o 'Trem dos Estudantes'


Fonte: G1 - Mogi das Cruzes e Suzano

No dia 08 de junho de 1972, conforme informações do jornal Diário de Mogi, o 'Trem dos Estudantes' havia deixado a estação Roosevelt (no Brás) às 07h46. Após percorrer mais da metade do trajeto sem ocorrências, ao partir da estação Suzano e circular 2 km em direção ao distrito de Jundiapeba, uma interrupção no sistema de energia elétrica fez com que o trem parasse. Pela mesma linha, também sentido Jundiapeba, circulava uma composição de carga, movida à diesel (a qual, a interrupção de energia não lhe fazia diferença). Quando o trem de carga passou pela estação de Suzano, uma falha de comunicação não o reteve na plataforma. Naquela época, sem os controles automáticos de hoje, um trem só poderia partir de uma estação se o trem à frente tivesse partido da estação à frente (ou seja, o trem de carga só poderia partir de Suzano após receber a confirmação que o 'Estudantes' havia partido da estação de Jundiapeba).

Essa falha de comunicação que autorizou a circulação do trem de carga gerou uma colisão, dois quilômetros à frente, entre este e o 'Trem dos Estudantes', causando imediatamente a morte de 17 pessoas (sendo 14 estudantes, além de um guarda de trem e os dois maquinistas da locomotiva à diesel). Em cerca de vinte minutos, a notícia chegou em Mogi das Cruzes, deixando a população em sobressalto. A FAB (Força Aérea Brasileira) disponibilizou dois helicópteros para o deslocamento de médicos e feridos, enquanto as rádios locais faziam apelos por doadores de sangue. A ferrovia ficou interditada até o dia seguinte, quando houve a retirada dos vagões acidentados. Ainda hoje, esse capítulo é lembrado com muita tristeza pela população local.


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Blogueiro especializado em transportes metropolitanos. Maquinista ferrroviário da CPTM, em São Paulo. Fotógrafo e pesquisador da história ferroviária paulistana.