O TUE série 101 foi o primeiro trem unidade elétrico do país construído em aço inox, para o serviço de passageiros nos subúrbios de São Paulo. Sua aquisição foi realizada pela EFSJ (Estrada de Ferro Santos à Jundiaí), junto à indústria americana The Budd Company. Os trens entraram em serviço em 1957, foram modernizados em 1996 e encerraram suas atividades em 2018. Ainda é possível encontrar dois trens-unidade (que acoplados, formaram o trem que realizou a última viagem), mantidos por entidades preservacionistas, estando eles nas oficinas da CPTM na Lapa e em Rio Claro, no interior do estado.
Com o final da Segunda Guerra Mundial, por volta de 1944, o movimento de passageiros nas linhas da então SPR (São Paulo Railway) passou a crescer de forma vertiginosa. Até então, o serviço era atendido por alguns trens-unidade diesel, com classes separadas, bancos transversais e poucas portas por carro, estando totalmente fora do padrão para o transporte suburbano. Sabendo disso, a administração da SPR iniciou um tardio programa de modernização, incluindo a eletrificação dos quase 200 km de linhas. A intenção era convencer o Governo Federal a renovar a concessão (que vigorava desde 1867, com a construção e operação da linha, tendo como fim o ano de 1945). Mas o ambicioso plano dos ingleses não foi o suficiente e as autoridades federais decidiram pelo fim da SPR, encampando a ferrovia e rebatizando esta como EFSJ. Com a mudança, o programa de modernização e eletrificação foi paralisado, antes mesmo da aquisição dos novos trens.
Coube ao Governo buscar recursos para diversas obras em andamento no país, incluindo a ferrovia. No início dos anos 1950, o Governo Dutra negociou um grande financiamento com os Estados Unidos da América. No ano seguinte, já pelo governo de Getúlio Vargas, foi criada em 19 de julho de 1951 a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, que visava levantar todas as obras paradas no país, incluindo a questão da ferrovia. Foi sugerido então um investimento de US$ 8,6 milhões para conclusão da eletrificação e aquisição dos novos trens, além da reforma e construção de estações, prevendo o atendimento de mais passageiros. Entre os anos de 1948 e 1954, o número de passageiros transportados saltou de 19,5 milhões para 37,7 milhões.
Sua aquisição teve como principal propósito a eliminação dos trens de madeira que realizavam os serviços de transporte suburbano entre Franco da Rocha e Mauá. Contemplou um total de 30 trens-unidade, em formato MC-R-RC (motor com cabine, reboque, reboque com cabine). Foram construídos na Philadelphia (EUA) e montados em regime CKD (complete knock-down, ou seja, a fabricante envia o produto semi-pronto, para que o cliente termine sua montagem) na planta da Mafersa, no bairro da Lapa, em São Paulo. A compra dos trens ficou marcada por supostas acusações de corrupção contra a Mafersa e a RFFSA (onde o então presidente era, ao mesmo tempo, diretor e acionista da Mafersa), culminando no chamado 'Caso Mafersa', posteriormente investigado pela Câmara dos Deputados em uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
OPERAÇÃO
O série 101 começou a circular pelos trilhos da EFSJ em meados de 1957. A entrega de todas as unidades adquiridas foi encerrada somente dois anos depois. Os novos trens possuíam bancos estofados, ventiladores eficientes, sistema de ventilação nas portas e toaletes. Tantos itens embarcados fizeram com o que a série 101 fosse usada também como trem de médio percurso, durante épocas de alta demanda, tendo atendido serviços entre São Paulo e Santos, além de São Paulo e Jundiaí. Seus bancos possuíam um sistema de fixação simples, o que permitia implantar novos assentos na região das portas, ampliando assim a capacidade de passageiros nessas viagens de médio percurso. Porém, essa finalidade foi encerrada em 1969, quando a Mafersa entregou os primeiros trens da série 141, popularmente conhecido como 'classe única' ou 'litorina'. Em 1975, a EFSJ foi absorvida pela RFFSA, passando a integrar a 4a. Superintendência Regional da empresa federal.
A RFFSA, por sua vez, promoveu um programa de reaparelhamento dos trens de subúrbio em São Paulo (agora administrando também as linhas que pertenciam à EFCB, atendendo a zona leste). Foram adquiridos setenta trens-unidade das séries 401 e 431, com projetos muito parecidos ao trem da série 101. Com essa aquisição, foi possível reduzir o excessivo uso da primeira frota. Em 1984, as linhas da RFFSA foram repassadas para a administração da CBTU. Em 1992, o Estado de São Paulo criou a CPTM e assumiu os serviços efetivamente em 1994, herdando toda a frota circulante na época, com a promessa de organizar e modernizar todo o sistema. Já em 1995, enfrentando dificuldades com a constante falta de trens, a CPTM contratou a reforma e modernização da série 101. Dividido em dois lotes, liderados por Mafersa e Cobrasma/CCC, acontece a remobilização de 23 trens-unidades de três carros, entregues ao tráfego à partir de 1997, como série 1100.

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